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18 de setembro de 2026Copom evita se comprometer com novos cortes, mantendo cautela na redução dos juros, analisa FecomercioSP

Após reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 13,75% ao ano (a.a.), o Comitê de Política Monetária (Copom) evitou sinalizar quais serão os próximos passos da instituição. O comunicado divulgado pelo Banco Central (BC) não assumiu compromisso com um novo corte na reunião de novembro, tampouco deu sinais de pausa no ciclo de flexibilização, preferindo deixar a decisão condicionada à evolução dos dados, diante de um cenário de incerteza que, em sua avaliação, exige cautela e serenidade.
Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a conjuntura macroeconômica ainda não é favorável para intensificar a queda da Selic. Embora chame a atenção o fato de o Copom já tratar a desaceleração da economia como um movimento confirmado pelos dados, o próprio documento afirma que esse processo ainda é gradual e que o mercado de trabalho permanece aquecido.
Ao mesmo tempo, a política fiscal expansionista, somada à falta de contenção das despesas obrigatórias e ao cenário geopolítico, cria um ambiente limitado para a atuação do BC. Seria necessário, como pontuou a entidade anteriormente, um maior compromisso do governo com o equilíbrio fiscal para que objetivo de diminuir os juros pudesse ser alcançado sem risco de reversão.
Outro ponto de atenção é a trajetória da própria inflação. Ainda que os indicadores de preços tenham melhorado, a política monetária ainda não alcançou o seu objetivo, como reconhece a instituição em seu comunicado. Apesar de estar abaixo do teto do intervalo de tolerância, a inflação não convergiu para o centro da meta (3%).
Como o Copom sinaliza no documento, as expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, apontaram para valores entre 4,9% e 4,3%, respectivamente. Embora a redução da expectativa para 2026 seja positiva, a de 2027 seguiu praticamente estável. Em outras palavras, há melhoria no curto prazo, mas, no horizonte mais longo, a convergência segue incerta.
Somam-se a esse quadro a maior resiliência da inflação dos serviços e fatores internos e externos que podem gerar pressões inflacionárias maiores do que as esperadas, como a manutenção do câmbio em patamar mais depreciado e estímulos à demanda agregada capazes de elevar o crescimento acima do produto potencial.
Ainda que as desacelerações doméstica e global pudessem abrir espaço para continuidade de cortes, a própria instituição parece avaliar que há uma assimetria dos riscos que reforça a necessidade de cautela: mesmo cortando a Selic, os riscos ainda pesam mais para a alta do que para a baixa.
